Como você gasta seu tempo e energia?

Tão importante quanto saber o que deve estudar, é a forma como você deve fazê-lo. Isso depende de vários fatores.

A cada dia, você recebe 86400 segundos de presente para gastar como você deseja e pode. Você irá consumi-los agindo, pensando e sentindo. Uma vez perdidos, esses segundos nunca mais serão recuperados.

Depende de suas escolhas, diretas e indiretas, a forma como irá gastar esse tempo e sua energia.

Esses momentos podem se tornam pesadelos que você tem que suportar, momentos maçantes que não vale a pena lembrar ou eventos felizes ou tranquilos ou produtivos (para alguns são sinônimos) que você levará dentro de você e sentirá seus efeitos pela vida.

Existe uma reserva própria de energia inerente a cada pessoa. Isso é bem variável de pessoa para pessoa. Saber gastar essa reserva de forma a produzir bons frutos para si e para as pessoas que se ama é uma das maneiras mais sábias de viver.

Vamos listar para você exemplos de comportamentos específicos que drenam sua energia de forma negativa:

1)      Pensamentos repetidos sobre o passado

Apegar-se a eventos passados que machucaram você e com os quais ficou indignado somente drena sua energia e não produz realmente nada de bom. A menos que haja uma reflexão sobre como essas situações podem engrandecer o seu presente, não vale ficar remoendo sobre o que passou e feriu você. Esse comportamento drena uma grande quantidade de energia e apenas deixa você para baixo e desmotivado.

2)      Pessimismo

Sofrimento pessoal tem tudo a ver com a forma como encaramos as situações. Cada um tem uma tendência que foi amoldurada ao longo da vida pelas experiências e pessoas com as quais conviveu. A boa notícia é que isso pode ser mudado, desde que você perceba que sua tendência não está fazendo bem para você. Pode-se fazer escolhas voluntárias de como enxergar as situações e com isso sofrer menos. Por exemplo, se emprestou dinheiro para um amigo na confiança de receber em um período demarcado de tempo e essa pessoa não pagou, você pode, ou ficar amaldiçoando esse amigo, ou considerar que foi uma grande oportunidade de perceber que essa pessoa não é digna da sua confiança. Lembre-se, cada dificuldade é uma oportunidade de crescimento. Viva com sabedoria.

3)      Fofocas

Ficar especulando a vida alheia ou passar horas conversando sobre o que o vizinho fez ou aquele seu ini-amigo passou realmente não adiciona nada na sua vida. Deixe passar. Cada um faz suas escolhas e tem sua cruz para carregar. A menos que você possa ter algo produtivo advindo de um bom papo sobre as agruras de outras pessoas, não perca seu precioso tempo com isso.

4)      Tentar provar que você está certo

Quantas vezes você discutiu com alguém só para provar que estava certo, apenas para defender seu ego? Quantas vezes você perdeu tempo com alguém só para mostrar sua superioridade? Se você está cansado dessas discussões improdutivas, pergunte-se de suas reais intenções  e apenas entre em discussões quando estiver genuinamente disposto a aprender e quando perceber que a outra pessoa também esteja. Entre em um bom bate papo com curiosidade e respeito, disposto a ouvir, e não impeça, com julgamentos prévios, a real liberdade de expressão do outro.

5)      Irritação com qualquer coisa

Muitas pessoas apresentam um limite de tolerância muito tênue com situações rotineiras que pouco ou nada se pode fazer para mudar: pode ser o trânsito acirrado, o passarinho que canta na árvore ao lado da casa, o pingo de água que cai esporadicamente do chuveiro ou o cobertor que não foi propriamente esticado…Seja o que for, é preciso sempre se perguntar: Vale a pena me irritar com isso? Vale gastar sua reserva de energia? Vale me tornar uma pessoa desagradável ao convívio por estar sempre irritadiço? Minha irritação vai mudar qualquer dessas coisas ou é proporcional a elas? Não tenho outros problemas bem maiores que esse? Com perguntas básicas como essas, feitas no momento certo, os sentimentos podem ser conduzidos e o comportamento pode ser evitado. Resultado: uma grande quantidade de energia poupada; sua energia e de quem convive com você!

6)      Verificar mídias constantemente

Não estou falando aqui da verificação necessária ao trabalho ou a alguma situação de emergência, estou me referindo à verificação repetitiva, por mera curiosidade ou vício que, cada vez mais, estão presentes nas relações pessoais. As pessoas estão substituindo o contato direto, salutar, pessoal, pelo contato virtual, camuflável e distante, feito através das mídias. Um grande estoque de tempo e energia são investidas diariamente no acesso às mídias sociais sem qualquer propósito produtivo.

7)      Procrastinação

Quando se falar em procrastinação, não se refere à espera necessária que muitas situações demandam, mas às pessoas que adiam para fugir de tomar uma decisão, da relutância em enfrentar uma situação difícil, o medo de perder ou mesmo de uma idealização perfeccionista demais para ser cumprida dentro do padrão da pessoa. Seja qual for a situação, tudo isso demanda tempo, atrasa outros eventos e gera frustração desnecessária que, por si, consome uma grande quantidade de energia interna e não gera frutos concretos.

8)      Passar tempo com as pessoas erradas

É preciso estar atento com quem você escolhe conviver. Pergunte-se: essa pessoa me agrega algo? Se sim, considere o que é e como isso afeta qualitativamente e quantitativamente sua vida. Vale o tempo investido? Não? Então, reduza esse tempo ou corte o contato. Às vezes, não é nem por maldade que a pessoa atrasa sua vida, mas apenas por limitação mesmo, por ter uma visão diferente da sua, por ter objetivos diferentes dos seus. Considere isso antes de escolher voluntariamente com quem conviver. Se esse contato é involuntário, como em trabalho ou outro compromisso compulsório, proteja-se; não se deixe contaminar pela pessoa.

9)      Excessos

Comer demais, dormir demais, gastar demais, praguejar demais….qualquer excesso demanda tempo e traz estragos. O caminho do meio ainda é o que traz mais benefícios. Extremos nunca são saudáveis.

10)   Saber olhar grande

Olhar cada situação como se fosse única é como olhar um pôr do sol pelo buraco de uma fechadura. Para que se possa verdadeiramente entender os atos de alguém e as consequências de seus próprios atos é preciso ampliar o olhar para como aquela situação chegou até aquele ponto. Olhar pelo buraco da fechadura leva a julgamentos parciais e, mais das vezes, injusto. Antes de tomar qualquer atitude ou assumir uma posição, sempre procure no passado, próximo ou distante, a contextualização da situação para você realmente poder avaliar se está enxergando todas as variáveis presentes ali.

Esses são apenas exemplos de comportamentos que subtraem sua cota diária de energia gerando desgaste, perda de tempo e consumo de motivação, elementos essenciais para subsidiar uma boa rotina de estudos, persistência e motivação a longo prazo para manter o foco nos seus objetivos.

Observe-se e avalie se você não está tendo seus estudos sabotados por essas situações e planeje-se para uma mudança gradual.

Cada um é arquiteto de seu futuro.

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.”  ( Fernando Pessoa )